Nach: Los Viajes Inmóviles.




“Los Viajes Inmóviles” é o trabalho que sucede a “Mejor que el silencio” sendo o novo trabalho do carismático e conceituado rapper espanhol Nach.
Trata-se de um trabalho onde a produção musical se encontra completamente a cargo do pianista, compositor e musico de Jazz Moisés Sanchez, que figurou já em anteriores trabalhos de Nach.
Este trabalho apresenta um corte radical com o passado do artista, quem estiver à espera de beats com bombos e tarolas pode esquecer, pois este projeto conta com uma sonoridade realmente clássica. Nach mostra a sua veia mais poética sobre melodias onde predominam violinos e pianos. Pode-se considerar que este não é um trabalho de rap, pelo menos nos moldes em que nos habituamos por parte deste artista, visto os instrumentais não apresentarem as batidas características o que leva a que não exista propriamente um flow disparado mas sim uma espécie de interpretação teatral dos temas. De fato o álbum tem um aspeto bastante reflexivo e emocional,  Nach apresenta momento de grande emoção e momentos calmos com um efeito simbiótico com as melodias que ora apresentam um caráter sereno ora apresentam um caráter turbulento.
Pode-se discutir que em determinado momentos o discurso de Nach se desprende completamente da melodia, sendo o caso mais notório o tema“La calle és un zoológico”, mas num disco destas características podemos questionar-nos se tal não será propositado para traduzir esse próprio caos que relata o tema.
Este é um trabalho em que podemos por tudo em causa e onde as opiniões certamente não apontarão na mesma direção, mas é isso mesmo que é arte, existe espaço para interpretação pessoal e sentimentos diferente à volta do mesmo trabalho.
Em suma, trata-se de um álbum bastante reflexivo, para ser ouvido de forma solitária e relaxada, é uma viagem bastante interessante, ideal para ser feita num sofá com ambiente a meia luz, num terraço de um prédio com uma garrafa numa mão e cigarro noutra, ou somente contemplando a cidade.

P.SIlva.



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