BlackStar (Mos Def & Talib Kweli) @ Virada Cultural, São Paulo




"O dia em que confundi os Black Keys com os BlackStar"

Sim, parece estranho, mas só arranjei essa explicação quando a cerca de 3 dias dos shows de BlackStar em São Paulo, descobri que eles iriam actuar.
Já tinha lido no cartaz da Virada Cultural (evento cultural, gratuito, com vários shows espalhados pelo centro de SP) que uns tais de BlackStar seriam uma das atrações principais do evento, juntamente com o ícone do funk George Clinton.
Como parti do princípio que fosse impossível os "nossos" Blackstar ter tal destaque num evento deste calibre, pensei num qualquer grupo de rock. Algo perfeitamente normal em festivais portugueses. Contudo, aqui a realidade é outra e a apelidada "black music" tem outro peso deste lado do Atlântico.
Quarta-feira, dia 16 de maio, vejo um tweet do Talib Kweli a afirmar que tinha acabado de aterrar em SP. Aí fiquei seriamente desconfiado.
Fui pesquisar e, não é que, os BlackStar não só actuavam uma como duas vezes em SP. Uma delas no dia 18, sexta-feira, à porta fechada no Sesc Pinheiros e a outra gratuita no palco principal do evento.



O coração disparou com a notícia. Pânico total! Porquê? Bilhetes para 6ªfeira já estavam esgotados e na madrugada de sábado para domingo o palco principal do evento iria estar lotado e sem condições para desfrutar o espectáculo. E também tinha dúvidas sobre a qualidade sonora do concerto ao ar livre.

Alternativa? Nenhuma! Logo, perdido por perdido. Siga ver o show no centro da cidade à pinha.

Cheguei a pouco menos de meia hora do início previsto, inclusive na passagem por outros palcos já sabia de muitas actuações rap nesta Virada como Emicida, Kamau, batalha de mc's, batalhas de break e ainda a cereja no topo do bolo, Criolo e Racionais no dia seguinte à tarde, também no palco principal.


O show!

Felizmente, ainda havia uns espaços abertos nas filas frontais do palco e foi mesmo ali que assisti à entrada pontual dos protagonistas.
Destaque para a mãozinha dada por outra estrela na produção, J. Rocc, responsável por um breve warm-up com um saborzinho de Gangstarr.

Nisto entra uma bateria de samba para animar as hostes e não é que Mos Def surpreende o público com passos de samba frenéticos, tão bem executados que parecia saído do Carnaval carioca. Aí, conquistou o interesse dos cépticos porque o resto, já sabia o que esperar.

Daí em diante, foi um desfile de clássicos e carisma.
Digamos que houve tempo para tudo, ou seja, temas originais da dupla e ainda alguns dos mais notórios das respectivas carreiras a solo.
Da dupla, é obrigatório nomear dois temas pelos quais todos esperavam: "RE:DEFinition" e "Respiration". Músicas apoteóticas no meio do público, algo atestado nos vídeos aqui disponibilizados.


Destaco a reacção do público ao minuto 4 do vídeo

Quanto a temas a solo, Mos Def brindou-nos com "Ms.Fat Booty" do seu disco de estreia e ainda "Auditorium" do mais recente "The Ecstatic", daqui também saíram "Casa Bey", "Quiet dog bite hard" e "Supermagic". Já Kweli teve o prazer de presentear o público com a belíssima "The Blast", a incontornável "Get by" e ainda uma mais recente com participação do brasileiro Seu Jorge, "Favela Love", a qual consta no seu mais recente disco "Prisioner of conscious"



Houve muito espaço para interação com o público e os clássicos "Obrigado" com aquele sotaquezinho. Espaço para dedicatória a J.Dilla, Aretha Franklin e uma despedida com a apropriada "Travellin Man" e , está claro, mais uma demonstração daquela ginga por parte do Mos Def.

Resumindo, um dos concertos da minha vida. Bom público, óptimos artistas, som incrivelmente adequado para um espectáculo de rap ( bombo e a tarola perfeitos)... enfim, emocionante!

Obrigado São Paulo. Obrigado BlackStar!


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