Videocracia !?



Este último anúncio de Nas revela uma tendência que tenho vindo a notar nos últimos anos: a quantidade significativa de videoclips num mesmo álbum.

Com "Cherry wine" a sair para a rede e o imediato anúncio de "Loco-Motive", Nas prepara-se para o 5º e 6º videoclip de "Life is good" cujos 3 primeiros são anteriores à saída para as prateleiras. E se se recordarem bem, antigamente, um disco poderia ter 1 ou 2 vídeos e numa de loucura, aí sim, um terceiro.

Duas causas importantes: vídeo não era tão acessível, os recursos mais limitados e passar na MTV não é propriamente a mesma coisa como ser viral nas redes sociais como a "Gangnam Style"

Como falei em tendência teremos de descartar isto como um acto isolado, ou seja, outros já o fizeram e quando comecei a escrever este artigo lembrei-me do que Raekwon fez no "Only built 4 Cuban Link 2" com 10 videoclips!

Para além de todo o buzz que o disco teve devido à sua qualidade, acreditem que ter vários vídeos a circular na net em semanas quase consecutivas é uma boa estratégia de marketing.

Actualmente, a importância do vídeo é indiscutível. Se por um lado é sempre reconfortante ter um videoclip bombástico daquele som fo**** do álbum xpto, também acho importante deixar as músicas à imaginação dos fãs e considerando o rap um género altamente descritivo isso ganha outra proporção. Para não falar do storytelling.

Relativamente a este último subgénero vou destacar "Disposable arts" e "A Long Hot Summer",  do Masta Ace, que para mim constituem o auge do storytelling. Dois discos extraordinários ligados por um enredo tão coerente e descritivo que dispensou qualquer imagem. Não sei se Masta Ace deliberadamente evitou o vídeo. O certo é que resultou em pleno.

Não quero com isto dizer que fazer muitos ou poucos videoclips é bom ou mau, parece-me sim, interessante analisar as tendências, a exacerbação da imagem e o papel destes no "rap game".

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