Nas - Life is good (e não só!)



Como já devem ter percebido pelo vídeo, novo disco de Nas "Life is good" já foi editado oficialmente. E repito oficialmente, porque já circulava na rede há mais de uma semana e o próprio Nas fez questão de nos últimos meses revelar maioria das faixas mais sonantes, o que me parece ter resfriado um pouco a forma como disco está a ser recebido.

Aconselho ver o vídeo primeiro e depois ler o texto.

Como em tudo, há aqui coisas que concordo e outras que merecem algumas considerações da minha parte, com alguma parcialidade à mistura devido à minha admiração por Nas.

"Life is good" é o melhor disco de Nas? Não. Mas isso é uma constatação óbvia porque nada supera Illmatic. Não há review de um disco do Nas que não tenha pelo menos uma referência ao Illmatic. Digamos que o senhor Nasir teve a sorte e azar de há quase 20 anos fazer o disco perfeito. Sorte porque é seu, azar porque a sua carreira ficou refém do mesmo.

Custa-me ver, em algumas ocasiões, a sua carreira reduzida a um disco e restantes vistos com alguma desconfiança à excepção do Stillmatic.

Não vejo, agora, críticos a referir a relevância dos debates lançados com " Hip Hop is dead" e "Nigger" que acabou por ser alterado para "Untitled". A estratégia de marketing foi genial. Sem tiros, sem beefs e sem anúncios de reformas antecipadas. Hype criado em torno de um debate de ideias.Há algo que promova mais o Hip Hop, enquanto cultura, que isso?

E o debate não se iniciou do nada. Iniciou-se por que foi Nas a lançar o repto. E isso é ilustrativo do peso de uma personalidade como ele, tem na nossa cultura.

Outro ponto sistemático é a comparação de carreiras com Jay-Z. Admito que, pessoalmente, também seja um dos meus exercícios mentais favoritos. Porque estamos a falar de dois dos melhores mc's da sua geração com percursos relativamente próximos no sucesso comercial ( o do Jay-Z acabou por disparar mais tarde)e no street cred, divergindo por completo, com um beef pelo meio, até atingirem as respectivas poltronas actuais.

O Jay-Z teve, tal como Nas, em "Reasonable doubt" o seu melhor disco de longe, mas a sua carreira de sucesso nos tops permitiu-lhe exorcizar esse fantasma. Há quem afirme, que parte desse sucesso resida no seu "melhor gosto" pelos beats. E aqui entra outra crítica recorrente a Nas. O seu mau gosto por beats, ora porque não são perfeitos, ora porque são reciclados, ora porque são assim, ora porque são assado…

Agora façam um exercício mental. Façam um top 5 de músicas de sempre (bangers) do Nas e 5 do Jay-Z.
Vendo temas como "Made you look", "Nas is like", "Purple", "Life's a bitch" ou até o mais recente " A Queens Story" constata-se que quando Nas acerta, é com estrondo!!! ( estão à vontade para lançar um Top 5 do Jay-Z)

Agora um dos assuntos que não concordo com o autor da review foi a incompreensão perante presença (póstuma) de Amy Winehouse no disco.
Como muitos devem saber Nas e Amy conheciam-se pessoalmente antes da participação, rumores de colaboração sempre existiram. Inclusive os sucessos "In my bed" e "Made you look" partilham Salaam Remi como produtor e uma semelhança sonora evidente.
Mais, no próximo dia 23, faz um ano que Amy faleceu portanto a sua presença neste disco merece comentários do género " Finalmente", " Até que enfim…", " Merecido" e não um "WTF?"

Pontos de concordância com o vídeo: "Accident Murderers" e "Summer On Smash" são temas dispensáveis.

Contudo, existem outros temas a merecer atenção como "Back When", "Stay", " Loco-Motive" , " The don" , Nasty" e que me têm proporcionado um escuta agradável e contínua sem pulos na tracklist. Agora volto a repetir, a promoção deste disco não necessitava de tantas faixas de conhecimento prévio do público

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