Cá fora, aí dentro !!!

Não pensem que por andar fora do país  larguei o vicio do Hip Hop Tuga. Juntamente com o clube é daquelas coisas que nunca mudarão.

Deixo aqui uma lista de alguns artistas que tenho seguido nos últimos meses e que, provavelmente, se terão apercebido com este ou aquele destaque que fui fazendo.
Confesso que finais de 2011 e este primeiro semestre de 2012 têm preenchido os meus ouvidos com muitas audições em português (de Portugal). E acima de tudo com variedade. Escutar Chullage não é o mesmo que escutar Deau, que por sua vez é muito distinto do Virtus ou do Simple.
Boss Ac joga numa liga diferente  da Capicua, dos Tribruto, do Halloween ou do NGA e isso é fantástico porque o público tem maior diversidade para escolher e o HipHop consegue chegar a pessoas que viviam reticentes relativamente ao género e ao que se faz em Portugal.

E não se esqueçam: entre os vossos amigos amantes de outros estilos musicais, certamente, que vocês serão os que mais música PORTUGUESA escutam de à uns anos para cá.

Capicua - Rap no feminino com elegância implícita. Muitos destaques na imprensa porque continuam a olhar para as mulheres do HipHop como "um bicho exótico" mas Capicua demonstra que vai muito além disso.

Chullage - O regresso do mestre depois de tanto anos. Rapressão é um disco que faz todo o sentido actualmente, apesar do autor ter afirmado que muitos dos temas já existiam antes desta crise assolar Portugal. 
O storytelling de "S.E.F. (Suplício de Estrangeiros e Fronteiras)" é épico!

Keso - O disco de 2009 que saiu em 2011 e que continua a bater no meu mp3 em 2012.  Fiz questão de comprar "Revólver entre as flores" a 4€ ( sim, 4 €) na Dedicated  do Porto porque sei que o tempo se irá responsabilizar por transformar isto num clássico.

Likido - Desconhecia por completo e guiado pelo a curiosidade das boas referências. "Controlador de ritmo" deve ter passado ao lado de muitos e se tu és um deles aproveita agora

Deau - O prodígio do Porto que enche as salas por esse país fora. Um aviso para aqueles que diziam que o Porto é só Dealema e Mind da Gap. E acreditem, há muitos mais na incubadora da Invicta!

Virtus - Faz-me alguma impressão a falta de hype em torno de "UniVersus". Já no concerto de apresentação fiquei com a mesma sensação. Um  concerto óptimo por 7€ com oferta do disco e só meia casa? Contudo, os anos vão provar que tenho razão quanto ao talento deste mc.

Simple - Os ares de Leça da Palmeira definitivamente trazem algo diferente ao panorama nacional. Apesar da proximidade com o Porto, escutar Simple leva-nos para além das margens do Douro. É a métrica, é a temática, é a emoção em cada linha. Merece mais destaque, merece mais chamadas a concertos ( Hardclub por exemplo), merece muito mais pelos seus skills.

Tribruto - Algarve no mapa. Punchline pura e dura, desavergonhada e de partir a rir em certas barras. O grupo certo para perder a compostura num momento sério. Encontra-se algo do género por aí? Não. Porquê? Porque é "grande e grosso"

Monster Jinx - Aqui prefiro falar em algo que me parece ser mais que uma editora, mas sim um conjunto de pessoas dos mais diversos quadrantes disponiveis para oferecer uma perspectiva distinta do convencional, vejam a produçao, os mc's, o design, os press releases. É trabalho personalizado com personalidade. Rotulem-nos de indie rap ou qualquer outra coisa. Eu vejo dedicação e profissionalismo na construção de um caminho que mais ninguém se atreve a enveredar.
Monstro Robot, pelos vistos, foi apenas a ponta do iceberg.

Orelha Negra - A linguagem instrumental extravaza as barreiras criadas pelas fronteiras da lingua. Um bombo e uma tarola em Portugal, serão sempre um bombo e uma tarola na Alemanha ou nos EUA, isto numa análise mais simplista. E os "Orelha Negra" para além do enorme sucesso cá, quis o destino levar a sua música ainda mais longe. Não é primeira vez que leio elogios rasgados na imprensa internacional. Próprio Dj Shadow mandou "props" no 1ºdisco. E o que dizer deste segundo? Escutem.

Halloween - Como é que Árvore Kriminal passa no TOP + e consta na lista dos melhores álbuns tugas 2011 em sites generalistas? Destaques em jornais como o Público? Não é um disco fácil devido ao perfil da "Bruxa" mas dentro do movimento há poder de encaixe para as especificidades da discografia de Halloween. Está aqui um dos case-studies mais interessantes dos últimos anos, directamente do underground mais raw que jamais imaginaria chegar ao radar dos media.

Pródigo&Viruz - Desde o famoso "Onde é que tá as mortalhas" que o Pródigo ficou na lista  dos mc's-a-escutar-mal-vejas-o-nome-na-tracklist. A partir daí "Dentes de ouro & Flow de platina" teria de picar o ponto. O disco flui com tanta naturalidade que até assusta. Quando o escutei pela primeira vez, fiquei deleitado com uma conjugação perfeita de beats e rimas, sem muitos wordplays ou flows marados. Temas com principio meio e fim, um olhar observador e inquieto da realidade, traços de portugalidade. Props para os scratchs do Sims e os beats do Syniko.
E o disco a solo do Pródigo está aí a rebentar!

Mundo&Each - Nova e velha escola. Mais que um simples apadrinhamento por empatia, acima de tudo por talento. Quem assistiu aos concertos de ambos no Hardclub, escutou as palavras de reconhecimento de Mundo perante o talento de uma das metades dos Enigma. Each representa o futuro da escola do Porto, a mesma de Virtus, do Deau, do Keso , do Simple e da Capicua. Depois digam que é tudo "igual"?!

PS: texto já vai longo e poderia continuar a enumerar outras coisas que tenho escutado, mas como blog não acaba hoje, outras oportunidades terei para fazer os devidos destaques.

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