Nach- Mejor que el silencio

Nas vésperas da visita de Nach ao HardClub, no Porto, deixo a review do seu último disco.

Enquanto escritor de reviews já passei por diversas experiências. Discos bons, maus, assim-assim mas sempre tive o privilégio de falar sobre aqueles que considerava mais relevantes (sublinho o carácter subjectivo deste assunto). Há álbuns e intérpretes mais fáceis de descodificar e outros bem mais complexos devido às especificidades de determinado disco enquadrado com as circunstâncias do seu criador (fase da carreira, discografia,etc).

A história de Nach confunde-se muito com imagem do rap espanhol em terras lusitanas. Conhecemos alguns nomes como Falsalarma, Tote King ou SFDK mas no final de contas é Nach que conta com maior mediatismo além fronteias. E percebe-se bem porquê se analisarmos a sua discografia e acima de tudo o conteúdo da mesma.



"Mejor que el silencio" introduz-se no mesmo tom épico e mobilizador no qual terminou o seu antecessor. "Hambre de victoria" constitui um grito de esperança e ambição sob um piano contemplativo que nos remete para o encerramento de "Un dia en suburbia" embora nos deixe avidamente curiosos para o que se avizinha.
E o que se avizinha é muito, em qualidade, quantidade e diversidade. Preparem-se para o abstracto e o concreto, para desabafos, para egotrip, para reflexões pertinentes, para relatos da vida quotidiana ou até para demonstrações de skill.


Este registo é longo e recheado, as metáforas e outros recursos estilísticos voam, a poesia flui através de uma métrica tão natural quanto elegante.

Há tempo para a seriedade e para diversão, para prever e para recordar. Fala-se de tudo quase como numa conversa de café, só que mais eloquente, e até o CR7 tem direito a uma referência.


Há espaço para trazer convidados reconhecidos internacionalmente como Kweli e Akhneton, falar de revolução com a sua personificação sobre a forma de Mc, Immortal Technique, e ainda recordar os velhos tempos com o veterano El Chojin.

E por incrível por pareça ainda há energia para elaborar uma homenagem vibrante e arrebatadora à própria música em " El idioma de los dioses".

Encontrar adjectivos para ilustrar um disco de Nach torna-se complicado e brinca até com a imparcialidade do julgamento pois estamos a falar de um Mc que atingiu o seu pico de forma desde o duplo  registo Ars Magna/ Miradas e desde aí tem revelado uma classe e coerência assustadoras.


Em tempos referi "Há rapper bons, muitos bons e depois há Nach" e "Mejor que el silencio", mais uma vez, atesta isso em pleno.



Por: André Silva 

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