Common- The Dreamer/The Believer [ Review]
"O sonho comanda a vida" já dizia o poeta e num contexto diferente Martin Luther King teve uma afirmação que o celebrizou também.
Por outro lado, a realidade molda-se com factos e mostra-nos Common, um dos porta-estandartes do HipHop consciente já no seu 9º álbum com a mesma vitalidade de outrora.
Também se pode questionar a perda de fulgor do artista nos anos seguintes ao incontestável "Be". E olhando com atenção para a sua discografia, não há muito apontar. "Finding Forever" foi um disco interessante, já com Universal Mind Control poder-se-ia abrir uma discussão engraçada e a "misteriosa" influência de Erykah Badu em "Electric Circus" outra.
Nesta nova fase da carreira, Common surge na zona de conforto, isto é, acompanhado por seu amigo de infância e produtor dos seus 3 primeiros êxitos passados, NO I.D. o mesmo que lhe proporcionou a sonoridade que cativou a sua enorme base de fãs. Se conhecem a carreira de Common sabem muito bem ao que me refiro, caso contrário sugiro uma escutadela a "Resurrection" a título de exemplo.
Para a obra nascer, nada melhor que sonhar logo nada mais apropriado do que abrir com "The dreamer". Aqui é introduzida a essência do álbum e vislumbra-se, de imediato, o caminho a traçado com a declamação da escritora e activista, Maya Angelou, que nos refere esse poder fantástico do ser humano, o atrevimento de sonhar.
E por falar em sonho. Que tal Nas e Common no mesmo tema? Pois é, ambos surgem sobre uma batida avassaladora de " Ghetto dreams".
Ainda agora começou e pensamos que o céu é o limite e aí surge oportunamente o wordplay "Blue sky". Enérgico e auto-motivador.
Ainda a recuperar o fôlego somos arrebatados pelo sample de " So sweet", tema onde Common aproveita para largar um egotrip da praxe, o qual suscitou polémica por ser direccionado para Drake.
Beefs à parte, a conhecida faceta "ladies man" vem à tona com o nostálgico "Lovin I Lost" e o pretensioso "Raw ( How you like it). "Cloth" surge na mesma linha embora se refira ao amor de uma maneira mais madura e ponderada. Já" Windows" centra-se mais nos sentimentos fortes entre pais e filhos.
A finalizar, a omnipresença do pai de Common no seu característico estilo spoken word.
The dreamer/The dreamer abre e fecha com dois discursos, ambos sonhadores, ambos crentes. Duas personagens diferentes. Uma mulher que sempre sonhou com uma sociedade mais justa e um homem que acredita na transcendência do ser humano. Tudo isto para nos fazer entender que sonhar e acreditar são complementares. Porque sonhar e acreditar podem fazer a diferença. Porque só assim se pode ambicionar mais. Porque só assim nos podemos transcender.
"The dreamer/ The believer" não surpreende e isso não tem de ser necessariamente mau, surge impregnado das boas vibrações que o seu autor sempre nos habituou ao longo de quase 20 anos de carreira. E isso faz-nos sentir bem no final e com vontade de repetir.







