“Ser blogger é importante, mas não é fácil” ( Primouz Version)



“Ser blogger é importante, mas não é fácil” trata-se de mais um grande testemunho do blog de Joana Nicolau. Um retrato fiel do que é ser um blogger do meio. Um retrato no qual me revi e me inspirei pois eu, tal como muitos outros, acompanhamos este blog quase desde sempre. Sendo até um dos responsáveis por me levar a criar o meu próprio blog num tempo em que o acesso à internet de banda larga se foi generalizando.

Isto remete-me para inicio do meu próprio blog acerca de 5 anos e meio. Naquela época já acompanhava avidamente blogs como o da Nicolau, do Piecemaker aka MadKutz e a isso acrescentava a mensal e indispensável HHnation e o H2tuga.

Com aquelas referências, senti que também podia dar o meu contributo. A motivação era grande, a ingenuidade e a vontade de aprender ainda maiores.
Fi-lo com propósito principal de ajudar a divulgar a cultura, sem saber bem como, é certo, mas as coisas foram acontecendo. Aí blogosfera do HHnacional era uma ínfima parte do que é hoje.

Com a criação do blog abriram-se portas para outros meios como H2Tuga, XLRap, Freestyle e a IVStreet com a qual tive uma relação quase umbilical devido à empatia que havia com o grupo de trabalho que por vezes, a muito custo, colocava a revista on-line mensalmente.

Lembro-me, inclusive, de faltar às aulas só para poder terminar reviews de discos e poder cumprir os prazos impostos. Não recebia nada por aquilo. Mesmo assim a motivação era enorme. Havia ali um sentimento de “missão”.

Confesso que sempre ambicionei ver os meus textos e dos meus colegas noutras plataformas. Deu-me um gozo especial ver um texto meu num suporte físico e mostrá-lo à minha mãe “ Tás a ver, afinal valeu a pena!”
Também já apanhei desilusões descomunais como por exemplo: realizar uma review do disco “Un dia en suburbia” de Nach para a DanceClub gratuitamente! Perder tempo naquilo, refaze-la mais tarde devido ao limite de caracteres e depois nem sinal dela na edição física. Em vez disso um artigo sobre Lil Wayne!        WTF???   A review nunca viu a luz do dia oficialmente. Apenas no meu blog e H2Tuga, meses mais tarde.

“Começa a tornar-se muito atractivo simplesmente não escrever e ter uma relação privada com a música, vivê-la como bem se entende à margem daquilo que se diz e se pensa no meio Hip Hop. E é tão fácil pensar que alguém mais novo / mais motivado / com mais tempo irá surgir e dará continuidade à coisa. “ Joana Nicolau

Durante estes anos tenho sido um defensor acérrimo do incremento do nº de blogs e de outras plataformas. Felizmente a blogosfera aumentou exponencialmente, se bem que continua a existir um défice de blogs de opinião. Quanto a outras plataformas como as revistas, voltamos a não ter nenhuma. Entristece-me imenso isto. E até olho para os espanhóis aqui ao lado com 2 revistas ( HipHop Life e HHnation já na sua edição nº134) e pergunto-me se o nosso HipHop é menos desenvolvido que o deles.

Entristece-me também o anonimato do outro HipHop que não passa na tv sofre

Discos como os de Joell Ortiz, Reks,Atmosphere, Nach, Pharoahe Monch, Random Axe, Pete Rock & Smif-N-Wessun, Talib Kweli ou Elzhi, entre outros dificilmente são destacados. Logo com a mesma dificuldade mudaremos o paradigma e as reticências que este género musical continuará a ser abordado. Mas isto já é uma guerra antiga tanto a nível de HH internacional como nacional.

Vale a pena parar um pouco e reflectir. Acredito perfeitamente que com actual estado do país existam outras preocupações acima das reflexões sobre o papel do blogs no panorama do HH nacional.

Os bloggers dispendem de tempo e esforço para partilhar um disco, um filme ou uma foto. Agora até pode parecer relativamente banal, mas há uns tempos contavam-se pelos dedos os sites/ blogs nacionais onde se podia consumir informação gratuita. Nunca se questionaram em que condição foi feita aquela entrevista ao mc, writer, b-boy ou dj XPTO? E a reportagem daquele evento em cascos de rolha? Será que fazer um review de um disco dura apenas 30min? Ou mais? Será assim tão simples? Esse tempo não podia ser dispendido em outro tipo de coisas? Remuneradas, por exemplo?

Fica a dica.

Fikem bem.
A.Silva

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