Antônia - O FILME


Quem se comoveu e se identificou com as histórias de Preta, Lena, Barbarah e Mayah, exibidas pela Rede Globo no final de 2006, tem um ótimo motivo para ir ao cinema a partir da próxima sexta-feira, 9 de fevereiro, quando estréia em circuito nacional, “Antônia”, o filme. Com direção de Tata Amaral, “Antônia”, vai estar em 120 salas de 50 cidades brasileiras, demonstrando a força que traz já na sua origem. Do latim, Antônia significa aquilo que é inestimável, o que não tem preço ou ainda guerreira, famosa e gloriosa.


Mais que um filme que trata das dificuldades enfrentadas por um grupo de mulheres que resolve correr atrás de seus sonhos, “Antônia” retrata o cotidiano de quem vive no universo do hip hop. “Comecei a pesquisar o hip hop, quando fiz o documentário sobre jovens em Santo André (“Vinte Dez”, de 2001). Lá, percebi que eles não estão interessados em resolver a própria vida e sair do seu bairro. Mais que tudo, querem mudar a consciência daqueles que estão perto de si, melhorar seu bairro, sua comunidade”, diz entusiasmada, a diretora Tata Amaral.


O filme sobre as jovens mulheres do hip hop foi a síntese da trilogia em que a diretora retratou os três arquétipos da mulher: a jovem, a mulher madura e a velha. “Desde meu primeiro longa-metragem (“Um Céu de Estrelas”, de 1996), já havia trabalhado com os dois últimos arquétipos e, com ‘Antônia’, tratava-se de investigar a jovem”, explica.


A pesquisa para o filme partiu, inicialmente, da própria história pessoal da diretora.“Quando comecei a pensar na mulher jovem, tive vontade de contar a minha história. Tive filha muito cedo e perdi meu companheiro logo depois que minha filha nasceu. Tinha então 19 anos. Mesmo sem trabalho, sem dinheiro e sozinha, acalentei o sonho de viver de cinema”, diz lembrando-se de sua jornada longa, difícil, mas vitoriosa, assim como as das mulheres que conheceu no mundo do hip hop. “Vi que elas também viveram, ou vivem, situações em que são colocadas à prova. Resistem na realização de seu projeto ou são obrigadas a abandoná-lo, em função de inúmeras dificuldades. Quis contar essa história de como se lida com sonho e cotidiano”, elucida. Ela destaca ainda que o enredo de “Antônia” vai no sentido oposto das histórias que são comumente contadas no Brasil. “Nós costumamos ignorar nossas histórias de vitória, aprendemos a menosprezar nosso sonho. Mais que tudo “Antônia” é um filme em que as protagonistas transformam suas adversidades em arte, em música. Não como um passe de mágica, mas fazem das suas vidas, sua própria matéria criativa”, diz Tata, que cita ainda a música “Neném”, de Nega Gizza, como exemplo da arte retirada do duro cotidiano. “Gizza conta a história de seu irmão, alguém que ela amou e admirou e que foi se destruindo tendo como testemunha a própria família. Dessa experiência doloridíssima, ela cria uma música linda, que expressa sua impotência, inconformismo, seu amor e sua raiva. Assim, provoca e comunica, partilhando sentimentos de reconhecimento em tanta gente que viveu uma situação similar”, diz, resumindo o que para ela classifica como a alquimia do hip hop, “a criação a partir das experiências mais legítimas de vida”.


De pessoas que já viram o filme, Tata recebe muitos comentários a respeito das cenas recorrentes, em que as meninas voltam à Vila Brasilândia, sempre chegando pela mesma rua, quando o empresário Marcelo Diamante (Thayde) as deixa na avenida e elas descem a ladeira. “A expectativa do público é de que aconteça alguma coisa de ruim toda vez que elas descem a ladeira. Por que? Porque elas entram na favela. Porque a favela é um lugar de negros e pobres. Esta idéia é mundial, mas é uma idéia construída”, explica. Em “Antônia”, esta expectativa é subvertida. As personagens, negras, bonitas e talentosas, descem a ladeira e entram no bairro, que é a sua casa. “Quando elas descem a ladeira, trocam os sapatos, ficam à vontade, falam de suas intimidades e comentam os eventos da noite com espontaneidade. O som da cidade vai se distanciando e os ruídos vão ficando mais tranqüilos. Esta é uma outra imagem que se constrói”, afirma.


“Antônia” é um filme que vale a ida ao cinema, não só pela beleza física e vocal das protagonistas, a surpreendente atuação de Sandra de Sá, interpretando a mãe de Preta (Negra Li), ou ainda pelas participações de Thayde e Z’África Brasil, mas pela mensagem que pretende passar, retratando a capacidade de superação, principalmente das mulheres. “Existem muitas mulheres como Lena (Cindy), que ouviram de seus companheiros ‘não quero mulher minha em cima de palco com um bando de vagabundos crescendo os olhos’. Por outro lado, são elas, em geral, o arrimo da família. Quando a mulher entra no hip hop e se apresenta no palco, só por esse ato, ela já é vitoriosa”, conclui a diretora, dizendo ainda esperar que “Antônia”, o filme, contribua, “nem que seja como um grão de areia, para mudar a imagem do artista, da mulher e dos negros no Brasil”.


Texto original retirado de REAL HIPHOP


http://www.realhiphop.com.br/materias/materia_antonia01.htm



Trailer do filme


http://www.antonia-ofilme.com.br/html/trailer/trailer_index.asp



Nota:Parece ser um filme interessante, e que capta um tema importante como o papel da mulher na sociedade contemporânea e dentro da própria kultura HipHop.

Vamos lá ver se será tao interessante quanto as expectativas...


Fikem Bem
A.Silva

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